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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Ultimate Classic Rock: 2025's Best Rock Songs

 


 
01. Robert Plant - Chevrolet
02. Cheap Trick - Twelve Gates
03. David Byrne - Everybody Laughs
04. Guns N' Roses - Atlas
05. Aerosmith and Yungblud - My Only Angel
06. Jason Isbell - Bury Me
07. Bruce Springsteen - Rain in the River
08. Alice Cooper - Black Mamba
09. The Black Keys - No Rain, No Flowers
10. The Doobie Brothers - Learn to Let Go
11. Ringo Starr - Look Up
12. Benmont Tench - The Melancholy Season
13. Mammoth - The End
14. Melvins - King of Rome
15. The Darkness - Walking Through Fire
16. Foo Fighters - Asking for a Friend
17. Styx - Build And Destroy
18. Bernie Leadon - Too Many Memories
19. Ozzy Osbourne and Billy Morrison - Gods of Rock N' Roll
20. Stanley Simmons - Body Down
21. Elton John and Brandi Carlile - Who Believes In Angels?
22. Envy of None - Stygian Waves
23. Ghost - Satanized
24. Megadeth - Tipping Point
25. Mike Campbell & The Dirty Knobs - Heart of the Heartland



O Ultimate Classic Rock (http://ultimateclassicrock.com/) elegeu as melhores músicas de 2025. O site que criou a lista publica apenas material de bandas de Classic Rock, logo as músicas de bandas mais novas não foram levadas em conta.

Um Grito Que Se Espalha: Um Tributo à Walter Franco

 

01. Dado - Pátio dos Loucos 
02. André Prando - Canalha 
03. Consuelo - O Dia do Criador 
04. BIKE - Mixturação 
05. Joe Silhueta - Cena Maravilhosa / Eternamente 
06. Tamy - Serra do Luar 
07. Juliano Gauche - Revolver 
08. Seamus - Lindo Blue 
09. Os Gianoukas Papoulas - Quem Puxa aos Seus Não Degenera 
10. Pão de Hamburguer - Vela Aberta 
11. Dadalú - Coração Tranquilo 
12. Marcelo Callado - Me Deixe Mudo 
13. La Carne - Feito Gente 
14. Buenos Muchachos - Respire Fundo 
15. Sérgio González - Desprendáte


"Foi meu mestre quem te ensinou / foi teu mestre quem me ensinou”… Esses versos de “Partir do Alto”, uma das mais suingadas composições de Walter Franco, propõem que o aprendizado acontece nas vias mais transversais e imprevisíveis. E como sugere a condução rítmica da canção, esse aprendizado vem em um movimento constante, dinâmico a ponto de não deixar espaço para o estabelecimento de verdades universais ou mestres absolutos. Como nenhum outro compositor antes ou depois, Walter Franco consegue captar essa dinâmica, essa eterna mutabilidade da existência, e usá-la como matéria-prima de canções. 

Sua poesia quase sempre mântrica e suas harmonias ricas são pequenas peças que nos ajudam a afinar nossos próprios instrumentos “de dentro pra fora e de fora pra dentro”, como diz sua criação preferida, “Serra do Luar”. Sim, mesmo que não sejamos músicos, a obra de Franco permite encontrar nosso lado mais musical, e já que a música precede a fala, não é exagero dizer que ela permite encontrar nosso eu mais verdadeiro.

Nascido em São Paulo em janeiro de 1945, Walter Franco não integrou nenhum dos movimentos badalados da música brasileira. Sim, Walter Franco não foi Bossa Nova, não foi Tropicália, não foi nem Maldito como muitos de seus pares setentistas. E foi Vanguarda Paulistana, sozinho, muito antes do termo ser cunhado nos anos 80. Seus dois primeiros discos, “Ou Não” (1973) e “Revolver” (1975), são obras clássicas cravadas a ferro e fogo na epiderme da música brasileira, o que não quer dizer que “Respire Fundo” (1978), “Vela Aberta” (1979), “Walter Franco” (1982) e “Tutano” (2001) sejam menores, muito pelo contrário: um álbum de Walter Franco, qualquer um, é um evento cultural por si só. Quem ousar mergulhar não voltará o mesmo.

Organizar um tributo a uma obra desse porte, revisitando-a sob outras óticas, é um risco e um atrevimento. Quase uma sandice. Por outro lado, o criador dessa obra nunca foi reverente às formas musicais estabelecidas. Aliás, essa é uma de suas mais valiosas lições: se perguntar “o que é que tem nessa cabeça, irmão?”, e procurar constantemente a resposta. 15 artistas toparam o desafio de se perguntar isso, e responder em forma de uma versão para uma composição de Walter Franco. Não tratando-o como “mestre absoluto”, porque como foi dito dois parágrafos atrás, isso não existe. Mas como o criador de transgressões, de beleza, de coisas que nos impulsionam a ir além. Como o arquiteto de sons e gritos que ele é.

“Um Grito que se Espalha” é um tributo a essa criação, a essa força que não se detém, ao imprevisível que não se conforma, e ao silêncio que diz mais que a soma das palavras. 

Obrigado, Walter Franco, por nos lembrar que nada é mais danoso que a apatia e o conformismo. E vida longa à inquietação que só a melhor música provoca!

Texto escrito por Leonardo Vinhas para o "Scream & Yell" (https://screamyell.com.br/)


Autoramas & The Tormentos EP

Sabe a tal “integração latino-americana pela música”? Os Autoramas são dos poucos artistas da música brasileira a fazerem isso na prática. Não se limitam a “tocar na gringa”, como preconiza o fetiche pelo mercado estrangeiro, e são uma banda de referência no cenário garage / surf / power pop – ou só rock, pra ser mais justo. Dividem palco e se relacionam de perto com artistas locais. Fazem shows regulares (em um mundo sem Covid-19, claro) e conseguem reconhecimento de público e crítica em vários países.

Na verdade, a banda formada por Gabriel Thomaz (voz e guitarra), Érika Martins (voz, guitarra e teclados), Jairo Fajer (baixo) e Fábio Lima (bateria) vai além dos países sul-americanos e também criou uma trajetória de maior ou menor penetração em diferentes países da Europa, além dos EUA e Japão. Mas vamos nos ater às terras latinas, tão latinas quanto seu Brasil de origem, e ao mesmo tempo tão estrangeiras para os brasileiros que olham para seu país continental como se fosse uma ilha (ou, pior ainda, um bairro).

“Os Autoramas foram fundamentais para o processo de integração Brasil / América Latina durante os anos 2000”, afirma Fernando Rosa, dono do selo / portal Senhor F e organizador do festival El Mapa de Todos. “Com um instrumental universal e letras divertidas, em geral, sintonizavam rapidamente com qualquer público. Foram, e continuam sendo, universais sem perder a brasilidade, na música e no show. Tiveram discos lançados na Argentina, presença constante no Uruguai e outros países latinos”, conta Rosa, que contribuiu na articulação para que a banda também tocasse no tradicional festival Vive Latino, no México.

Essa integração é o que faz com que, em uma viagem de férias, o casal Érika Martins e Gabriel Thomaz fosse convidado para participar de um show da veterana banda surf The Tormentos no Club Shake, em Buenos Aires. “Nem bem a gente aterrissou e já foi pro estúdio”, lembra Erika Martins. As sessões de ensaio incluíram duas inesperadas releituras surf de canções dos Autoramas, e as faixas acabaram sendo gravadas ao vivo em estúdio.

Essas gravações estavam adormecidas nos arquivos de Gabriel Thomaz até que a pandemia o “incentivou” a fuçar no baú. Dessa “autoarqueologia” surgiu o álbum “B-Sides & Extras vol. 1”, lançado em novembro. Agora o Selo Scream & Yell libera “Autoramas & The Tormentos EP” e as duas faixas com os Tormentos (ausentes de “B-Sides & Extras vol. 1”) foram incluídas, e estão presentes aqui para download exclusivo. Mas não estão sozinhas: vêm acompanhadas de duas releituras inéditas, uma feita por cada banda, todas entregues num pacotinho que vem com wallpapers e versões alternativas da fascinante arte que Bruno Honda Leite fez para o disco.

No fim, esse EP celebra várias amizades e trabalhos de união: os quase 20 anos de amizade entre as duas bandas, os 30 (!) anos de amizade entre Bruno Honda e o produtor desse lançamento, Leonardo Vinhas (que, em certo momento da adolescência, tiravam covers do Little Quail and The Mad Birds, antiga banda de Gabriel em um bairro da periferia de Taubaté); e da amizade que a música proporciona entre pessoas de países e formações diferentes.

Somos todos latinos, defende um dos lançamentos do selo Scream & Yell. E esse EP completa a ideia de que dá para ser latino com fuzz, distorção, reverb e amor à música.


Faixa a faixa: AUTORAMAS & THE TORMENTOS EP

1) “Hotel Cervantes”

Autores: Gabriel Thomaz e Renato Martins Gravado, mixado e masterizado por Francisco “Bichi” Bossi Erika Martins e Gabriel Thomaz: voz Dacho X e Ignacio Beachbreaker: guitarras Marcelo di Paola: baixo Lucas “Cuki” Siri: batería

Marcelo Di Piola: Nos ensaios dos Tormentos é clássico tocar músicas de amigos por diversão, e Ignacio Beackbreaker, guitarrista dos Tormentos, sempre tocava “Hotel Cervantes”, cujo princípio é super surfeiro. A Erika e o Gabriel chegaram pro ensaio, Ignacio começou a tocar essa música e eles começaram a cantar. Foi quando decidimos fazer juntos no show.

2) “Paciência”

Autor: Gabriel Thomaz Gravado, mixado e masterizado por Francisco “Bichi” Bossi Erika Martins e Gabriel Thomaz: voz Dacho X e Ignacio Beachbreaker: guitarras Marcelo di Paola: baixo Lucas “Cuki” Siri: batería

Marcelo Di Paola: Continuando o ensaio, fizemos “Paciência”, uma música da qual todos gostamos, e falamos de inclui-la no setlist também. No dia do show, tivemos um ensaio extra e como nossa sala de ensaio é um estúdio de gravação – estúdio Balance, super recomendo – decidimos gravar para comemorar o momento. Acho que foram só dois takes para cada um, saiu assim natural, fresco e com toda a fúria. 

3) “I Wanna Be Your Man” - Autoramas

Gabriel Thomaz: Participamos de uma série de shows no SESC Jundiaí em que tocamos o repertório da fase inicial dos Beatles – outras bandas tocaram o repertório de outras fases. Essa não podia faltar: ela faz parte do álbum “With the Beatles” (1963) e foi hit com os Rolling Stones. A gente fez uma versão pegando elementos das leituras das duas bandas, o balanço dos Beatles com o riff do Brian Jones.

Érika Martins: É uma música muito simples, e dá sempre pra levar pra uma onda dançante. Ela até fechava o show, porque tem um final apoteótico (risos). Parece uma coisa muito metida falar isso, mas o solo com vibrato deixa tudo muito “pra cima”. Autores: John Lennon e Paul McCartney

Gravado, mixado e masterizado por Alê Zastrás Gravado na casa onde o Jairo deveria estar morando, Itatiba – SP

Gabriel Thomaz: guitarra Érika Martins: voz Jairo Fajer: baixo Fabio Lima: bateria

4) “Mr. Midnight” - The Tormentos

Autor: Chris Barfield Gravado, mixado e masterizado por Gonzalo “Pájaro” Rainoldi Dacho X e Ignacio Beachbreaker: guitarras Marcelo di Paola: baixo Coco Reinols: bateria

Marcelo Di Paola: Essa é uma canção dos desaparecidos The Huntington Cads, da Califórnia. Era uma banda comandada pelo Grandmaster Chris Barfield, que foi também do The Finks, Fuzztones e várias outras. Essa era uma das primeiras músicas que tocamos nas primeiríssimas etapas dos Tormentos. Foi gravada ao vivo para o piloto de un programa de TV de música que nunca saiu, filmado no mítico Salón Pueyrredón, de Buenos Aires – o último reduto realmente punk desta cidade, com uma ampla historia como centro cultural alternativo. O engenheiro de gravação foi Gonzalo “Pajaro” Rainoldi, um produtor portenho bem conhecido com quem gravamos os discos “Grab your board” e “Death drop”.

Texto escrito por Leonardo Vinhas para o "Scream & Yell" (https://screamyell.com.br/)