01. Dado - Pátio dos Loucos02. André Prando - Canalha03. Consuelo - O Dia do Criador04. BIKE - Mixturação05. Joe Silhueta - Cena Maravilhosa / Eternamente06. Tamy - Serra do Luar07. Juliano Gauche - Revolver08. Seamus - Lindo Blue09. Os Gianoukas Papoulas - Quem Puxa aos Seus Não Degenera10. Pão de Hamburguer - Vela Aberta11. Dadalú - Coração Tranquilo12. Marcelo Callado - Me Deixe Mudo13. La Carne - Feito Gente14. Buenos Muchachos - Respire Fundo15. Sérgio González - Desprendáte
"Foi meu mestre quem te ensinou / foi teu mestre quem me ensinou”… Esses versos de “Partir do Alto”,
uma das mais suingadas composições de Walter Franco, propõem que o aprendizado acontece nas vias mais transversais e imprevisíveis. E como sugere a condução rítmica da canção, esse aprendizado vem em um movimento constante, dinâmico a ponto de não deixar espaço para o estabelecimento de verdades universais ou mestres absolutos. Como nenhum outro compositor antes ou depois, Walter Franco consegue captar essa dinâmica, essa eterna mutabilidade da existência, e usá-la como matéria-prima de canções.
Sua poesia quase sempre mântrica e suas harmonias ricas são pequenas peças que nos ajudam a afinar nossos próprios instrumentos “de dentro pra fora e de fora pra dentro”, como diz sua criação preferida, “Serra do Luar”. Sim, mesmo que não sejamos músicos, a obra de Franco permite encontrar nosso lado mais musical, e já que a música precede a fala, não é exagero dizer que ela permite encontrar nosso eu mais verdadeiro.
Nascido em São Paulo em janeiro de 1945, Walter Franco não integrou nenhum dos movimentos badalados da música brasileira. Sim, Walter Franco não foi Bossa Nova, não foi Tropicália, não foi nem Maldito como muitos de seus pares setentistas. E foi Vanguarda Paulistana, sozinho, muito antes do termo ser cunhado nos anos 80. Seus dois primeiros discos, “Ou Não” (1973) e “Revolver” (1975), são obras clássicas cravadas a ferro e fogo na epiderme da música brasileira, o que não quer dizer que “Respire Fundo” (1978), “Vela Aberta” (1979), “Walter Franco” (1982) e “Tutano” (2001) sejam menores, muito pelo contrário: um álbum de Walter Franco, qualquer um, é um evento cultural por si só. Quem ousar mergulhar não voltará o mesmo.
Organizar um tributo a uma obra desse porte, revisitando-a sob outras óticas, é um risco e um atrevimento. Quase uma sandice. Por outro lado, o criador dessa obra nunca foi reverente às formas musicais estabelecidas. Aliás, essa é uma de suas mais valiosas lições: se perguntar “o que é que tem nessa cabeça, irmão?”, e procurar constantemente a resposta. 15 artistas toparam o desafio de se perguntar isso, e responder em forma de uma versão para uma composição de Walter Franco. Não tratando-o como “mestre absoluto”, porque como foi dito dois parágrafos atrás, isso não existe. Mas como o criador de transgressões, de beleza, de coisas que nos impulsionam a ir além. Como o arquiteto de sons e gritos que ele é.
“Um Grito que se Espalha” é um tributo a essa criação, a essa força que não se detém, ao imprevisível que não se conforma, e ao silêncio que diz mais que a soma das palavras.
Obrigado, Walter Franco, por nos lembrar que nada é mais danoso que a apatia e o conformismo. E vida longa à inquietação que só a melhor música provoca!
Texto escrito por Leonardo Vinhas para o "Scream & Yell" (https://screamyell.com.br/)

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